Rogério Lisboa: A favor do pré-sal para aposentados
 

Rogerio Lisboa  Rio – A população brasileira envelhece sem que os governantes se preocupem em elaborar políticas públicas para os setores de previdência ou de saúde. Ao contrário, os aposentados estão cada vez mais abandonados à própria sorte, apesar de o IBGE apontar que, no ano de 2050, o percentual da população com mais de 65 anos será o mesmo dos brasileirinhos de até 14 anos: 18%.

O descaso com os mais velhos pode ser medido pelo tratamento dado aos aposentados do INSS. Hoje, eles são cerca de 26 milhões, dos quais mais de 18 milhões sobrevivendo com apenas um salário mínimo. Ganham R$ 510, insuficientes para atender às necessidades de uma família com dois adultos.

Muitos brasileiros vivem com muito menos. Mas o salário mínimo apropriado, pelas contas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), já deveria ser hoje de R$ 1.987,26. Só com ele seria possível pagar as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e a própria Previdência. Infelizmente, para nós, este valor é quase quatro vezes o mínimo em vigor.

O governo e seus aliados não aceitam nem mesmo recompor as perdas do valor das aposentadorias superiores ao salário mínimo. Estas sofreram perdas salariais avassaladoras. Resultado: 4,5 milhões de aposentados que recebiam mais do que isso caíram para este patamar.

Pensando neles, a Câmara dos Deputados aprovou uma emenda ao projeto 5.417/09, reservando 5% dos recursos do Fundo Social Soberano para recompor as perdas das aposentadorias superiores ao mínimo. O PT e o PMDB saíram derrotados, apesar de terem conquistado a adesão de mais 92 deputados para votarem com eles pela aniquilação dos aposentados.

 

Fonte: O Dia