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	<title>Democratas 25 &#187; Artigo</title>
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	<description>Diretório Regional do Rio de Janeiro</description>
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		<title>Cesar Maia: Pontos fora da curva</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 16:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo: 4/6/2011 A política tem tendências de longo prazo que se expressam, em números aproximados, nos processos eleitorais. Nas eleições de 1947, por exemplo, PTB e PCB -partidos ligados ao &#8220;trabalhismo&#8221;- somaram uns 12% dos deputados federais. &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-pontos-fora-da-curva/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Folha de São Paulo: 4/6/2011<br />
A política tem tendências de longo prazo que se expressam, em números aproximados, nos processos eleitorais.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas eleições de 1947, por exemplo, PTB e PCB -partidos ligados ao &#8220;trabalhismo&#8221;- somaram uns 12% dos deputados federais. Nas eleições seguintes, foram crescendo progressivamente, até que em 1962 o PTB tornou-se o principal partido, com uns 30% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">O golpe de 1964 interrompeu esse processo, mas apenas provisoriamente. Com a redemocratização, o &#8220;trabalhismo&#8221; retornou com cara própria -com o PDT e o PT, inicialmente. E esse processo se repetiu: partindo praticamente de uns 10% dos deputados federais, seu crescimento foi permanente. A diferença é que agora o &#8220;trabalhismo&#8221; é muito mais pulverizado.<br />
O PT tem 16,5% dos deputados, e a este somam-se PDT, PSB, PC do B, PSOL&#8230; para chegar aos mesmos 30% ou pouco mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem olha as correntes abaixo da linha do mar ou a floresta de cima perceberá essas tendências. Mas há eleições que são pontos fora da curva. Por exemplo, a do Plano Cruzado de 1986, quando o PMDB elegeu todos os governadores, menos o de Sergipe, e 52% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem pensou que tal eleição lançava uma nova tendência, se deu mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois anos e meio depois, Fernando Collor vencia as eleições presidenciais disputando com Lula o segundo turno. Brizola foi o terceiro candidato mais votado. Em 1990, o PMDB passava a ter 20% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">A eleição de 2010 é outro ponto fora da curva. Um presidente mitificado, entrando no processo eleitoral como fator exógeno, gravando &#8220;telemarketing&#8221;, aparecendo na TV, inventando sua candidata a presidente e elegendo-a, pedindo votos aos seus e contra os adversários, num processo nunca visto nas democracias maduras. Ele levou o que queria: a máquina presidencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para não ter riscos, foi cedendo espaço nos Estados para seus parceiros. O PT fez 16,5% dos deputados federais, cinco governadores -só dois em Estados mais importantes: Bahia e Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto o ponto fora da curva pela popularidade do presidente em 2010 deixou fundações tão frágeis quanto em 1986 -quando, depois, ocorreu o que ocorreu.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2012 e em 2014, o processo eleitoral voltará à normalidade. Isso não quer dizer que uma ou outra força política se beneficiará. Apenas que não haverá fator exógeno. O custo dos artificialismos para ganhar parceiros já está sendo cobrado e as eleições serão competitivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos estão no jogo. Perdedores serão aqueles que se agarrarem naquele ponto fora da curva de 2010. Cairão como aqueles que caíram depois de 1986. O PMDB parece ter aprendido a lição.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cesar Maia: Jangada de pedra</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 08:47:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[A reação política europeia à crise econômica de 2008-2009 foi virar o leme à direita. Os casos residuais, atentos a essa tendência, terminaram caindo numa armadilha: adotar as mesmas políticas à direita, buscando legitimar-se pela esquerda. Não podia dar certo. &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-jangada-de-pedra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://democratasrj.org.br/wp-content/uploads/2009/12/CesarMaia1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-376" title="CesarMaia.jpg" src="http://democratasrj.org.br/wp-content/uploads/2009/12/CesarMaia1.jpg" alt="" width="292" height="280" /></a>A reação política europeia à crise econômica de 2008-2009 foi virar o leme à direita. Os casos residuais, atentos a essa tendência, terminaram caindo numa armadilha: adotar as mesmas políticas à direita, buscando legitimar-se pela esquerda. Não podia dar certo.</p>
<p>Os dois casos residuais mais importantes são os de Portugal e da Espanha. Ambos caminham para se incorporar aos demais, com a provável vitória de seus partidos conservadores, o PSD em Portugal, na próxima semana, e o PP na Espanha, no início de 2012.</p>
<p>As eleições regionais e locais na Espanha, na semana passada, com vitória histórica do PP, já apontaram nessa direção, incluindo a tomada de redutos tradicionais sob controle dos socialistas do PSOE.</p>
<p><span id="more-806"></span></p>
<p>Com isso, o georreferenciamento da política europeia em 2012 deverá mostrar uma enorme mancha azul, desde a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, chegando agora à península Ibérica.</p>
<p>O escritor José Saramago fez a figuração do retorno ibérico à Europa desde as Américas, onde a &#8220;jangada&#8221; aportou no final do século 15. Esta &#8220;jangada de pedra&#8221;, com a democratização dos anos 1970, voltou a colar no continente. Agora, ela aporta politicamente na Europa pós-crise.</p>
<p>Portugal e Espanha têm um sistema parlamentar de poder binário. No caso da Espanha, de forma mais pronunciada: PSOE e PP têm em torno de 90% dos 350 deputados.</p>
<p>Em Portugal, o PS e o PSD têm um pouco menos, em torno de 85% dos 230 deputados.</p>
<p>Na eleição de 2009, tal soma caiu para 77%, com o PS perdendo 20% de seus deputados e tendo que coligar-se para formar o gabinete ministerial.</p>
<p>A vitória do PS em 2009 só ocorreu devido a uma escolha equivocada do PSD: a sua candidata a primeira-ministra.</p>
<p>Hoje em dia, a performance numa campanha sempre agrega ou desagrega algo. Se a eleição for equilibrada, isso passa a ser decisivo.</p>
<p>A crise obrigou o primeiro-ministro português a entregar o cargo ao presidente e este a antecipar as eleições parlamentares para 5 de junho. Portugal receberá, via UE, 40% de seu PIB em empréstimos, para enfrentar a crise.</p>
<p>Na Espanha, em meio à crise, numa última tentativa do PSOE, o primeiro-ministro anunciou que retira seu nome da eleição de 2012 e que não continuará como tal.</p>
<p>Nas últimas semanas, um movimento multitudinário via redes sociais, de jovens espanhóis, ocupou a praça central de dez grandes cidades do país, a começar por Madri. O foco dos protestos é a contrapolítica, a rejeição aos políticos, jovens antes de esquerda.</p>
<p>Mesmo sendo a eleição em Portugal de resultado mais estreito, o fato é que, politicamente, a &#8220;jangada de pedra&#8221; -agora de cor azul- colou na política europeia pós-crise.</p>
<p><em>Folha de São Paulo, 28.05.11</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cesar Maia: Comissão da Verdade</title>
		<link>http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-comissao-da-verdade/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 00:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo 14/4/11 O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário &#8220;Para que &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-comissao-da-verdade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Folha de São Paulo 14/4/11</em><br />
O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário &#8220;Para que Não se Repita&#8221;, dividido em 12 blocos, com seis horas de duração.</p>
<p style="text-align: justify;">O escopo do informe e o período que cobre foram amplos: &#8220;Esclarecer as violações contra os direitos humanos cometidas pelo Estado e por grupos terroristas entre maio de 1980 e novembro de 2000&#8243;. Cada &#8220;comissão&#8221; criada na América Latina tem um escopo e um período de análise diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório mostra a complexidade de uma comissão desse tipo. Foram 69 mil vítimas no período: 90% de mortos e 10% de desaparecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O informe destaca o Sendero Luminoso/Partido Comunista Peruano, apresentando-o como um grupo terrorista. Também trata das causas históricas da violência no Peru, a discriminação de índios e negros e as diferenças sociais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-804"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Após sublinhar as características democráticas dos ex-presidentes Fernando Belaúnde e Alan García, relata ações repressivas do Exército e da polícia tidas como terroristas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Ayacucho, base do Sendero onde lecionava seu líder, Abimael Guzmán ou &#8220;presidente Gonzalo&#8221; (preso desde 1992), concentrou-se a violência, passando depois a Lima.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de Alberto Fujimori, que liquidou o Sendero, tem seus méritos minimizados e, nesse caso, associa-se a ele a repressão e o terrorismo da polícia e do Exército.</p>
<p style="text-align: justify;">Destaca-se ainda o papel das milícias locais (rondas), armadas pelo próprio Exército e atuando em cada região com independência. Mesmo informando casos de terror praticados pelos &#8220;ronderos&#8221;, o relatório tenta realçá-los como autodefesas das comunidades, e que teriam tido papel básico.</p>
<p style="text-align: justify;">Para concluir, o informe condena a passividade da Justiça e do Ministério Público, que deveriam ter tido papéis ativos, mas seriam responsáveis, por omissão, por crimes contra os direitos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O documento &#8220;esquece&#8221; o MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru), ostensivamente financiado pelo tráfico de drogas e responsável pelo sequestro múltiplo na Embaixada do Japão, desintegrado pela inteligência policial em operação cinematográfica e ao vivo, no período Fujimori.</p>
<p style="text-align: justify;">De tudo o que mostra o relatório/documentário, o mais importante é o risco do trabalho de comissão similar passar a cumprir um papel político, ter uma abrangência sem limites e igualar ou encobrir excessos de forças heterogêneas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma comissão de tal tipo pode terminar servindo para atirar em qualquer direção e, assim, incorporar riscos de excitar e deformar a memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, nunca poderá ser governamental nem ter cor ideológica. Deve ter foco específico e detalhado em um período.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>&#8220;Bolha&#8221; latino-americana</title>
		<link>http://www.democratasrj.org.br/bolha-latino-americana/</link>
		<comments>http://www.democratasrj.org.br/bolha-latino-americana/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 May 2011 18:38:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>

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		<description><![CDATA[A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície. Nas últimas duas semanas, o FMI, &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/bolha-latino-americana/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície.</p>
<p>Nas últimas duas semanas, o FMI, em relatório sobre a América Latina, e a revista &#8220;The Economist&#8221; apontaram no mesmo sentido: forma-se uma &#8220;bolha&#8221; na região capaz de estourar em alguns meses.</p>
<p>O Brasil é citado como um dos casos mais delicados.</p>
<p>Lembram que não se pode tratar, simultaneamente, de controlar a inflação e desvalorizar o cambio. A presidenta Dilma Rousseff disse que está dando uma &#8220;guerra contra a inflação&#8221;, expressão que denota insegurança -e mais coisas não ditas.</p>
<p><img title="More..." src="http://www.blogdemocrata.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /></p>
<p>A crise de 2008-09, ao contrário da de 1997-98, não tirou capitais dos países emergentes. Ao contrário: com taxas generosas de juros e estando fora do epicentro dos países desenvolvidos, continuaram a atrair capitais, produzindo uma valorização quase generalizada do câmbio.</p>
<p>Hoje, para cada 10% de crescimento da China, o impacto na América Latina, via commodities, é de uns 4%. Viramos uma periferia da China.</p>
<p>Mas as autoridades chinesas falam em reduzir esse ritmo.</p>
<p>Sendo assim, o impacto continental seria significativo.</p>
<p>E a isso se agrega a crise europeia e a necessidade dos EUA enfrentarem seu deficit fiscal.</p>
<p><span id="more-801"></span></p>
<p>O paraíso das commodities não será o mesmo. Em mais um tempo, garantem, a taxa de juros nos EUA vai ter que subir, atraindo capitais que migraram para os emergentes.</p>
<p>As razões da &#8220;bolha&#8221; brasileira estar crescendo na frente das demais (com exceção da Argentina) estão nos próprios dados oficiais divulgados, com parcimônia, para não assustar os investidores.</p>
<p>A inflação já sinaliza para mais de 7%. O PIB, neste ano, deve crescer 3,5%. A expansão do crédito embute uma inadimplência potencial crescente. O deficit em conta-corrente vai para US$ 60 bilhões.</p>
<p>A balança comercial da indústria foi de um superavit de US$ 18 bilhões para um deficit de US$ 22 bilhões em cinco anos. O deficit comercial nos derivados do petróleo (um país autossuficiente!) passou de US$ 3 bilhões para US$ 18 bilhões em dez anos.</p>
<p>Como dizia Simonsen, &#8220;a inflação fere, mas o balanço de pagamentos mata&#8221;. Ao que tudo indica, o terremoto de 2008-09 entrou com grau 8 nas economias desenvolvidas e vai chegando nas emergentes com graus um pouco menores. E, no Brasil, com mais um efeito: o político.</p>
<p>O &#8220;desconforto&#8221; de 2011 vai levar a base da sociedade a fazer comparações. Injustas, mas que vão afetar a popularidade da presidenta até o final do ano. E não se pode afrouxar em 2011 para 2012, pois a eleição que importa para ela e para eles será em 2014</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cesar Maia: Fusão ou confusão?</title>
		<link>http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-fusao-ou-confusao/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 17:43:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 30/04/2011 Quando dois sistemas se integram, tal fusão pode ser sinérgica (maior que a soma das partes), neutra ou disfuncional (menor que a soma das partes). A fusão de dois partidos políticos só é um processo &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-fusao-ou-confusao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Folha de São Paulo, 30/04/2011</em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando dois sistemas se integram, tal fusão pode ser sinérgica (maior que a soma das partes), neutra ou disfuncional (menor que a soma das partes). A fusão de dois partidos políticos só é um processo simples quando o tamanho de um deles é insignificante perto do outro. A isto melhor seria chamar de assimilação.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas quando dois partidos se equivalem, a fusão é um processo complexo, ainda mais num país continental. No Brasil, alguns partidos substantivos surgiram por processos de desagregação, como o Republicano (no Império), o PSDB (saído do PMDB) e o DEM (saído do PDS).</p>
<p style="text-align: justify;">Este é também um processo simples, porque as partes homogêneas de um partido se separam para formar outra legenda. Não é sem razão que no Brasil, durante o Império ou a República, nunca ocorreu fusões entre partidos políticos substantivos. A complexidade ocorre pelo tectonismo das partes (das placas).</p>
<p style="text-align: justify;">No que se refere às direções nacionais, sempre haverá como compor. Mas quando os espaços de cada dirigente começam a ser definidos, termina a simplicidade. Isso sem falar nas estruturas administrativas de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao se desdobrar isso em níveis estadual e municipal, há muito mais. Além disso, existem as listas de vereadores por município, deputados federais e estaduais por Estado, cuja agregação produzirá riscos maiores ou menores para centenas de parlamentares.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-797"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda os espaços de liderança a serem definidos. E também, em todos os níveis, os órgãos de representação especial, como imprensa, institutos e fundações.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal decisão produziria uma redução pela metade das lideranças no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras Municipais, assim como nas estruturas respectivas. E também no uso dos microfones.</p>
<p style="text-align: justify;">A nova legenda, independente da denominação que mantenha, terá que incorporar os programas de ambos. As diferenças desses programas abrirão uma luta ideológica, de saída, no novo partido.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, a legislação eleitoral permite, havendo fusão de partidos, que os legisladores (vereadores, deputados, senadores) e os executivos (prefeitos e governadores) que se digam prejudicados mudem de legenda.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é preciso analisar no detalhe para saber que alguns deputados federais e vários deputados estaduais e vereadores usarão essa circunstância para mudar de partido, sem os enormes riscos de uma nova legenda. O partido fundido ficará parlamentarmente menor que a junção das partes. Só soma tempo de TV e Fundo Partidário, o que também vai gerar atritos pelo uso.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso tudo leva a uma enorme disfunção ou tectonismo. Repetindo: no Brasil -no Império e na República- nunca houve fusão de dois grandes partidos. Haverá a primeira.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cesar Maia: Três propostas eleitorais</title>
		<link>http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-tres-propostas-eleitorais/</link>
		<comments>http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-tres-propostas-eleitorais/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2011 15:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue o debate, e o impasse, sobre a reforma eleitoral. Seria melhor deter-se sobre o processo eleitoral em si, fazendo uma análise comparada com os demais países. Três questões se destacam. A primeira questão é sobre o debate na televisão. &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-tres-propostas-eleitorais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segue o debate, e o impasse, sobre a reforma eleitoral.</p>
<p>Seria melhor deter-se sobre o processo eleitoral em si, fazendo uma análise comparada com os demais países.<br />
Três questões se destacam.</p>
<p>A primeira questão é sobre o debate na televisão. Em nenhum país, e em especial nas democracias maduras, o debate pode ser feito na semana da eleição -menos ainda na antevéspera.</p>
<p>Nos EUA e na Europa, o último debate ocorre duas semanas antes. Vários estudos nos EUA mostram que o impacto da coreografia dos debates na TV se dilui em até quatro dias.</p>
<p><span id="more-791"></span></p>
<p>O debate deve aprofundar as questões políticas, e não se propor a pegadinhas, a gracinhas e a agressões, ou a dar vantagens aos televisivos.</p>
<p>Com um prazo maior, efeitos desse tipo se diluem e o eleitor volta a decidir sobre as questões da campanha.</p>
<p><img title="More..." src="http://www.blogdemocrata.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /></p>
<p>A segunda é sobre as pesquisas. Alguns países exigem currículo dos institutos, evitando que criações pré-eleitorais divulguem seus resultados. A grande imprensa faz sua seleção, mas não é geral. E publicidade paga não se nega.</p>
<p>Outro aspecto é o prazo limite de publicação de pesquisas. Alguns países exageram estabelecendo limites amplos.</p>
<p>Mas -por outro lado- a divulgação na véspera e no dia da eleição, é um exagero, sempre reforçado pelas manchetes.</p>
<p>A terceira questão é a mais grave de todas. A compra de votos, a cada ano, se torna mais escandalosa no Brasil. É feita por meio de um eufemismo: &#8220;cabos eleitorais&#8221;.</p>
<p>Milhares são contratados por 90 dias, depois por mais 60 dias, por mais 30 dias e finalmente exponenciados nos últimos três dias.</p>
<p>A legislação, ingenuamente, proíbe a boca de urna, mas permite as bandeiras e outras alegorias até no domingo.<br />
Em 2010, levantamentos em diversos locais do Rio confirmaram que os pagamentos são feitos de forma ascendente, desde três meses antes, até os últimos três dias, quando valem 20% do salário mínimo ou mais. E que 90% dos &#8220;cabos eleitorais&#8221; vão votar no candidato que os contrata.</p>
<p>Um candidato a deputado bem patrocinado, põe nos últimos três dias 40 mil &#8220;cabos eleitorais&#8221; pelo Estado. Estima-se que o gasto oculto com &#8220;cabos eleitorais&#8221; seja maior que todos os gastos de campanha declarados, dos majoritários e dos proporcionais.</p>
<p>Em vários países, aplica-se a lei do silencio a partir da sexta-feira anterior à eleição, no domingo. Isso vale para todo tipo de manifestação, sejam panfletos, colinhas, bandeiras ou carros de som.</p>
<p>Esses três dias são chamados de dias de reflexão, para que o eleitor, depois de ter recebido todas as informações e impulsos na campanha, possa tomar a sua decisão sem pressões e sem dinheiro. Corrigir essas três questões vale uma reforma eleitoral. E é questão apenas de vontade.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Populismo avança</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 15:53:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>

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		<description><![CDATA[O segundo turno das eleições peruanas mostra que o populismo latino-americano continua forte e avança. <a href="http://www.democratasrj.org.br/776/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 16/04/11</em></p>
<p><a href="http://democratasrj.org.br/wp-content/uploads/2010/11/Cesar-Maia3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-606" style="margin: 10px;" title="Cesar Maia" src="http://democratasrj.org.br/wp-content/uploads/2010/11/Cesar-Maia3-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>O segundo turno das eleições peruanas mostra que o populismo latino-americano continua forte e avança.</p>
<p>De um lado, o ex-militar Ollanta Humala, sucessor de seu pai no etnocacerismo, [movimento político] que, em nome do nacionalismo, reúne as raízes incas e a memória do general Cáceres, da Guerra do Pacífico (1879-83), em que o Chile avançou sobre parte da Bolívia e do Peru.</p>
<p>Abanado por Hugo Chávez, Humala surpreendeu na eleição de 2006, chegando ao segundo turno com porcentagem igual à atual. Perdeu por seis pontos. Agora, clonando a campanha de Lula em 2002, ele vai ao segundo turno representando o populismo nacionalista de esquerda.</p>
<p><span id="more-776"></span></p>
<p>Vai disputar com Keiko Fujimori. Apesar de seus 35 anos, ela incorpora a experiência de ter sido, aos 19 anos, a primeira-dama do Peru [durante o governo de seu pai, Alberto Fujimori]. Coordenou alguns programas sociais.<br />
Seu ponto fulcral é a libertação do pai (que está preso) e a continuidade de seu governo.</p>
<p>Mostrou especial talento de comunicação e foi além do patamar dos 20% do fujimorismo. Keiko -que foi o destaque entre os candidatos- representa o populismo de direita.</p>
<p>Já a pré-campanha na Argentina, com eleição em outubro, tem como triste referência o marasmo da oposição, que pode possibilitar a vitória de Cristina Kirchner no primeiro turno. Ela segue à risca o populismo de esquerda de Néstor Kirchner, governando por decreto e financiando o gasto público com inflação.</p>
<p>Em setembro, virão as eleições na Guatemala, país estressado pela passagem de cocaína, pelo tráfico legal de bebês e ilegal de migrantes, tudo para os EUA. Enfrenta uma violência crescente das gangues, que da extorsão se aliam ao tráfico de drogas. O presidente Álvaro Colom Caballeros deu um jeito na proibição constitucional de reeleição, divorciando-se da mulher (que será a sua candidata).</p>
<p>O ano termina com a eleição na Nicarágua, onde Daniel Ortega conseguiu que a Corte Constitucional (que ele controla com a direita corrupta) desconsiderasse a proibição à reeleição. Sua aliança desde 2007 é com o ex-presidente Arnoldo Alemán, em prisão domiciliar e ordem internacional de arresto. Ortega alterou a legislação eleitoral para poder se eleger com menos de 40%.</p>
<p>Se colorirmos o mapa da Guatemala à Argentina, quase teremos uma continuidade espacial. Mesmo no Panamá, com seu presidente eleito um ano atrás e maior empresário do país, o populismo avança.</p>
<p>É ele mesmo que se diz populista de direita e distribui bolsas de todos os tipos.</p>
<p>O corredor populista na América Latina vai da Guatemala a El Salvador, Nicarágua, Panamá, Venezuela, Equador, Peru (agora), Bolívia, Paraguai e&#8230; Brasil, pelo menos até 2010.</p>
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		<title>Cesar Maia: Ópera popular</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 21:55:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Cesar para a Folha de São Paulo sobre o desfile das Escolas de Samba no Rio de Janeiro. <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-opera-popular/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Seria difícil imaginar um auditório com 60 mil pessoas assistindo a uma ópera, mesmo num palco a céu aberto. Mas não numa ópera popular. Nesta, o palco é móvel e múltiplo. Os atos são móveis e múltiplos. Cada ato desliza com seu cenário e seus figurantes nesse palco móvel. O libreto conta o enredo que é cantado por um coro de milhares de vozes junto aos tenores populares, em carro próprio de som. Assim é o desfile das escolas de samba: uma ópera popular.</p>
<p>Mas esse foi um processo de mais de 30 anos, desde as rodas de samba dos anos 1920 e 1930. As escolas de samba ganharam identidade, passaram a ter nome e se diferenciaram umas das outras com cores e bandeiras próprias. No início dos anos 1930, passaram a se apresentar no Carnaval, desfilando. O prefeito Pedro Ernesto deu cidadania a elas e, em 1935, oficializou o desfile. Adotou o nome de escolas de samba, para dar cobertura legal aos subsídios. Não havia carros nem enredo. As fantasias eram improvisadas. Desde a origem dos desfiles, a bandeira era protegida pela porta-estandarte e pelo mestre-sala.</p>
<p>O Carnaval, diversificado com corsos, carros, blocos, foliões, grupos de samba, frevo etc., cada um de forma autônoma, foi sendo assimilado pelas escolas de samba. Os desfiles passaram a escolher histórias e os sambas a contar este enredo. A incorporação dos carros alegóricos se deu de forma progressiva: muito pequenos em 1960, quase como uma marca, os carros alegóricos, como cenografia das alas com figurantes em cima, só vieram depois. A atração de cenógrafos, coreógrafos e figurinistas deu ao desfile outro glamour. A partir daí, o desfile vai entrando numa espiral de transformação com enredo, ordenamento de suas alas, fantasias, alegorias, coreografia, samba, bateria, transformando-se em uma ópera popular.</p>
<p>O desfile passa a ter todos os elementos da ópera, de uma ópera popular e única. O libreto, a orquestra com seus naipes, o maestro, os atos com suas alas, coreografias e cenografias próprias, os cantores, o coro.</p>
<p>Imagine-se numa arquibancada e fixe-se num cone de visão. Os atos passam na frente do público, com suas alas, carros alegóricos, fantasias e coreografias. A bateria se fixa num ponto e sua música vai para todo o desfile. Um coro geral cantando o samba-enredo, dois tenores populares puxando o samba. Toda a apresentação é articulada. Todo o público assiste à mesma ópera esteja onde estiver, pois os palcos são móveis e correm paralelamente ao público. Em cada ponto de visão o palco é fixo. Um espetáculo único no mundo.</p>
<p><em>Folha de São Paulo, 5/3/11</em></p>
</div>
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		<title>Cesar Maia: Os cortesãos</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 20:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte Folha de São Paulo A disputa de cargos, em todos os níveis, e de benesses governamentais, entre os partidos que apoiam o governo federal, remete ao sistema de cortes das monarquias nos séculos 16 e 17. As cortes palacianas &#8230; <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-os-cortesaos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fonte Folha de São Paulo<br />
</em> A disputa de cargos, em todos os níveis, e de benesses governamentais, entre os partidos que apoiam o governo federal, remete ao sistema de cortes das monarquias nos séculos 16 e 17. As cortes palacianas viviam no entorno dos reis, disputando cargos, concessões e favores.</p>
<p>Os homens fortes das cortes eram aqueles que, por proximidade com reis e rainhas, conseguiam para seus apaniguados decisões que lhes davam poder e riqueza. As cortes dos vice-reis na América hispânica aprofundaram o sistema. As &#8220;encomiendas&#8221;, por exemplo, eram concessões de caráter feudal com cessão de terras e seus índios, para o uso econômico e deleite dos &#8220;encomenderos&#8221;. Outro exemplo era o &#8220;corregimiento&#8221;, uma região onde o &#8220;corregidor&#8221; tinha todos os poderes e onde esse poder até se comprava.</p>
<p>Os vice-reis da Espanha no Peru e no México (Nova Espanha), nos séculos 16 e 17, com status de &#8220;alter ego&#8221; do rei, punham e dispunham sobre tais concessões. Em torno deles, construíram-se amplas cortes que se dividiam em funções administrativas e de proximidade com o vice-rei.</p>
<p>Era tão bom, que fazer parte do séquito de um vice-rei nomeado na Espanha tinha preço. A orientação básica da coroa era prestigiar os chamados &#8220;beneméritos&#8221;, ou seja, os que chegaram na frente para conquistar e colonizar.</p>
<p>Mas o que ocorria eram nomeações e concessões ao grupo íntimo do vice-rei ou aos indicados por ele. Os abusos chegaram a tal ponto que, em 1619, o rei Felipe 3º regulamentou a ocupação de cargos, proibindo empregar e fazer concessões a parentes até o quarto grau.</p>
<p>Em 1660, Felipe 4º repetiu a mesma resolução, pois as cortes no Peru e na Nova Espanha não haviam dado a menor bola para a determinação.</p>
<p>A solução no século 18 foi tirar poder dos vice-reis e transformá-los em burocratas do Estado espanhol.</p>
<p>O que vemos por aqui é uma adaptação disso. Um partido tem direito de nomear em órgãos que passam a ser suas &#8220;encomiendas&#8221;. O quoteo de ministérios, órgãos e empresas estatais são como &#8220;corregimientos&#8221;. O líder de bancada de prestigio é aquele que, por proximidade com o poder ou por intimidação, abre amplos espaços para os seus protegidos. Mesmo que indiretamente, isso tudo tem um preço.</p>
<p>Não tão abertamente como as vagas no séquito dos vice-reis, mas de forma mais intensa e rentável. Como nas cortes, vai se criando um hábito.</p>
<p>E só se lembra do método quando os desvios são publicados. Os servidores profissionais independentes vão ficando de lado, como ocorreu aos &#8220;beneméritos&#8221;. E -da mesma forma que os Felipes 3º e 4º- não será por falta de leis, decretos e resoluções. Enquanto isso o Estado vai ficando caro, improdutivo, ineficiente, e algumas vezes, corrupto.</p>
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		<title>Cesar Maia: Folha de coca</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Feb 2011 14:08:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Democratas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[A publicidade do governo boliviano diz que "folha de coca não é droga". E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial.
 <a href="http://www.democratasrj.org.br/cesar-maia-folha-de-coca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A publicidade do governo boliviano diz que &#8220;folha de coca não é droga&#8221;. E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial.</p>
<p>Bartolomé Arzáns em seu &#8220;Relatos de la Villa Imperial de Potosí&#8221; (Plural Editores, Bolívia), escrito no início do século 18, num capítulo, destaca a folha de coca e seus efeitos, (&#8220;1674 &#8211; Da erva chamada coca&#8221;, pág. 353).</p>
<p>Potosí pertencia ao vice-reino do Peru. Sua montanha de prata financiou a Europa por uns cem anos. Arzáns fala do &#8220;enorme mal que afeta o Peru: possuir a erva chamada coca, que usam os ministros do diabo para seus vícios&#8221;.</p>
<p>Cita Pedro Cieza, que dizia (&#8220;Crônica del Peru&#8221;) que, em todo lado que ia, via os índios se deleitarem em trazer nas bocas a erva de coca, em pequenos bolos de onde sacam uma certa mistura. &#8220;Trazem essa coca na boca desde a manhã até dormir&#8221;. Cieza perguntou aos índios qual a razão e eles disseram que, com isso, &#8220;não sentem fome e ganham grande força e vigor&#8221;.</p>
<p>Arzáns diz que a coca no Peru é &#8220;apreciada&#8221; pelo menos desde 1548 e &#8220;hoje&#8221; em Cuzco, La Paz e La Plata. E que na Espanha se enriquece vendendo coca. Por acabar com a fome e dar grande força e vigor, nenhum índio entra em uma mina ou faz obras &#8220;sem levá-la na boca, mesmo que reduza a sua vida&#8221;. Índio não podia entrar em mina sem estar mascando folha de coca.</p>
<p>Arzáns diz que experimentou e sua língua ficou &#8220;gorda, áspera e abrasada&#8221;. Essa erva tira o sono dos índios, segue Arzáns, e com ela não sentem frio, fome ou sede. Os índios não podem trabalhar sem ela.<br />
&#8220;Moída e em água fervendo, abre os poros, esquenta o corpo e abrevia o parto&#8221;. Mas seu uso vira vício e o &#8220;demônio, que é o inventor dos vícios, faz notável colheita de almas&#8221;.</p>
<p>A coca é usada pelas feiticeiras. &#8220;Os que se viciam se perdem e vivem de esmolas para manter esse infernal vício, que lhes priva do juízo, como bêbados, e lhes dá terríveis visões&#8221;. Usá-la dá excomunhão. A famosa feiticeira Claudia a aplica e faz um homem deitar com uma velha pensando que é uma jovem, conta Arzáns. E que um espanhol rico foi morar com Claudia e comeu tortas pensando que eram as de sua terra.</p>
<p>Um músico convidado para uma casa viu que serviam coca em bandeja de prata e para, não falar sobre os viciados que vira, esses lhe suplicaram que a usasse. O músico saiu à 19h, vagando, e só chegou em casa à meia-noite. E segue contando Arzáns: &#8220;Um enfermo, ao beber a erva com licor, ficou bom. Mas morreu um ano depois. Uma mulher pediu a criada que lhe desse coca. Com a negativa, ela levantou-se furiosa e meteu um punhado da erva na boca e, dizendo disparates, caiu morta&#8221;. Nem tão trivial assim.</p>
<p><em>Folha de São Paulo: 5/2/11</em></p>
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